ALTA RESPONSáVEL DA ONU ADVERTE QUE VISAR HOSPITAIS é UM "CRIME DE GUERRA"

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, do qual a Rússia detém atualmente a presidência rotativa, realiza hoje uma reunião de emergência a pedido de Kiev na sequência destes ataques, que atingiram um hospital pediátrico e uma clínica na capital e fizeram pelo menos 38 mortos,, segundo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

"Lançar ataques intencionalmente contra um hospital protegido [pelo direito internacional] é um crime de guerra pelo qual os perpetradores devem ser responsabilizados", afirmou a alta responsável das Nações Unidas, assinalando "uma tendência preocupante de ataques sistemáticos a centros de saúde e outras infraestruturas civis em toda a Ucrânia".

Os ataques russos contra a Ucrânia na segunda-feira, na véspera do início da Cimeira da NATO em Washington, deixaram pelo menos 38 mortos e 170 feridos, segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

O embaixador ucraniano nas Nações Unidas, Sergiy Kyslytsya, acusou a Rússia de "voluntariamente visar aqueles que constituem talvez a população mais vulnerável em qualquer sociedade".

Perante o Conselho, este mês presidido pela Rússia, o diplomata ucraniano mostrou fotografias de restos de um míssil de cruzeiro russo KH-101, alegadamente tiradas no local de impacto e publicadas pelos serviços de segurança ucranianos.

Kislitsia sublinhou que este foi "apenas um dos muitos" projéteis - entre eles mísseis balísticos e de cruzeiro Kinzhal, Iskander ou Zircon - disparados contra o território ucraniano na véspera. "Houve ataques ferozes a quase 100 locais civis", sublinhou.

A Rússia reiterou que o hospital foi atingido pela queda de um míssil antiaéreo ucraniano, denunciando uma suposta "campanha de propaganda de Kiev".

"Se fosse um ataque russo, nada teria ficado do edifício e todas as crianças e a maioria dos adultos teriam sido mortos e não feridos", declarou o embaixador da Rússia na ONU, Vassili Nebenzia.

A ONU considerou, no entanto, "muito provável" que o hospital tenha sido atingido por "um disparo direto" de mísseis russos.

"O ataque de ontem mostra muito claramente que [o Presidente russo, Vladimir] Putin não está interessado na paz. Ele quer semear morte e destruição para continuar a sua guerra de agressão", disse a embaixadora norte-americana Linda Thomas-Greenfield.

O seu homólogo francês, Nicolas de Rivière, condenou "as violações flagrantes do direito internacional" que se juntam à "lista de crimes de guerra pelos quais a Rússia terá que responder", críticas secundadas pela representante britânica, Barbara Woodward.

A China, outro membro permanente do Conselho de Segurança, reiterou o apelo a negociações para acabar com o conflito "o mais rápido possível" e o seu representante, Fu Cong, exortou a Rússia e a Ucrânia a "demonstrarem a vontade política de dar um passo um para o outro".

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, condenou na segunda-feira os ataques russos na Ucrânia, que descreveu como "particularmente chocantes".

"A realização de ataques contra civis é proibida pelo direito internacional e este tipo de ataques é inaceitável e deve parar imediatamente", disse o seu porta-voz em comunicado, citando os dois centros cínicos afetados, incluindo o hospital pediátrico Okhmatdyt.

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